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Visualização dos artigos postados o: 01/01/2001

Para a amiga Adriana Pitanga ... umidade da palavra

Eu estava ali
Fantasiado de cactus

Integrado à paisagem seca daquele endereço no papel
E não fazia esforço para enxergar nada...

De repente
Ela
Ali também, por acaso,
Essencialmente em desacordo
Quase inacreditável
Ela
Na emoção do atalho que persiste
Na revelação da página a ser virada...

Fazendo transpirar palavras incrustadas no conteúdo sólido de todos os dias...
Naturalmente dando umidade às palavras...

Eu,
Naquele quadrado
De outros tantos menores de salas e indivíduos devorados,
Ainda vestido de espinhos,
Primeiro achei graça...
Depois pensei...

Essa gente descrente, trabalhando a minha volta, rompida da mesma terra, reconheço bem...
Mas quem é essa mulher que é essa menina,
Vertida de qualquer outra página sem secura,
E que sendo quase só mulher,
Pode tão bem despir a pureza
Dos sentidos opostos nessa moldura?

Eu nunca soube.

Mas estava ali
Sem fantasias
Em desacordo na paisagem seca
Devolvendo tinta às falsas perdas
Fazendo os olhos enxergarem
Também pele e pêlo
Outros olhos e desejo

E, possivelmente, também estava ali
Talvez fantasiada,
de outra quentura àquela paisagem
misturada
ou de um caminho que flui entre desertos (prazeres aprisionados)

Quem sabe não seria

Nossa inesperada

Autodenúncia

Vestida de encontros sem culpas

Entre pedaços


Rachados?
Admin · 1 vista · 0 comentários
10 Nov 2008

Para a amiga Ana Lúcia Brito ...no mesmo ponto sem nó

Entre
tanto momento que se torna ainda menor,
tanta direção que nos deixa aqui dentro,
tanta palavra antiga marcada no caminho de casa,
tanto sorriso deixado no silêncio,...

enraizo cada vez mais nossas histórias
rasgo as sombras do tempo

e continuo
linha contínua no mesmo ponto sem nó

para permanecermos
pura revelação
contorno
dentro do traço

denso

Admin · 1 vista · 0 comentários
10 Nov 2008

Para o amigo Gallito ...entre Minas e ecos

Reparo seu braço
seu passo
seu sonho fora da sombra

seus pés e o desejo de caminhos que sobram

Reparo sua rota
seu porto
seu conforto

suas rosas

E de lhe ver assim entre Minas e ecos
é que coloco-me aqui imerso
nessa aventura de aprender com tantas formas
de lhe reparar


Admin · 1 vista · 0 comentários
10 Nov 2008

Para a amiga Silvia... je fais souvent ce revê....

je fais souvent ce revê...
c´est pas revê... étrange...
estávamos lá
encarnados
(para proteger do frio)
Pierrot-Columbina desvelados
sem limites de ser
um
ou outro
por dentro
ou por fora
eramos dois, éramos um,
e nossos passos pelos degraus,
pelo prazer
que transcende,
para a noite suspensa além da saída idefinida metrô Arts et Métiers

No espaço
mais um pedaço
dois perdidos em um circuito
de ruas alheias:
Réamur, Turbigo, Beaubourg... au Maire...
até um som ralo nos dar nitidez e direção certa: Le Tango - última vibração da noite mais quente-

e lá..
como nossos olhos
as portas abriram
e guardamos o eco daquele reveillon
fechamos em nós
em um
a quase inaldível
sonoridade
do primeiro encontro

Admin · 1 vista · 0 comentários
10 Nov 2008

Para Joana, a professorinha francesa

Sua presença está dentro de minha primeira vista
em uma estação oposta a qualquer direção...

nehuma perspectiva, nenhum horizonte...
serão capazes de rasgar essa revelação muda...
escondida
deixada
no inverso,
atravessada pelo quase nada do gozo
que jamais seremos...

Seu olhar claro
que alvoroça,
vasculha,
provoca...
ainda está lá
no mesmo lugar...

Quando nos vimos
fechei em mim quase todas as janelas
e nossos olhares envidraçados
arranhados
dentro de outros amores impossíveis

viram mais que a paisagem do futuro partindo...

Um dia
ruídos de rodeiros
cruzamentos
trilhos emaranhados
estarão cansados dos trajetos diários

aprenderão também a tocar
origem
destino
o desconforto sem rosto nos bancos
e respirar a umidade do desejo passageiro

-esse trafego de imagens que a sobrevivência evapora

dentro e fora

dos vagões ferroviários-


Admin · 2 vistos · 0 comentários
10 Nov 2008

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