Para a amiga Adriana Pitanga ... umidade da palavra
Fantasiado de cactus
Integrado à paisagem seca daquele endereço no papel
E não fazia esforço para enxergar nada...
De repente
Ela
Ali também, por acaso,
Essencialmente em desacordo
Quase inacreditável
Ela
Na emoção do atalho que persiste
Na revelação da página a ser virada...
Fazendo transpirar palavras incrustadas no conteúdo sólido de todos os dias...
Naturalmente dando umidade às palavras...
Eu,
Naquele quadrado
De outros tantos menores de salas e indivíduos devorados,
Ainda vestido de espinhos,
Primeiro achei graça...
Depois pensei...
Essa gente descrente, trabalhando a minha volta, rompida da mesma terra, reconheço bem...
Mas quem é essa mulher que é essa menina,
Vertida de qualquer outra página sem secura,
E que sendo quase só mulher,
Pode tão bem despir a pureza
Dos sentidos opostos nessa moldura?
Eu nunca soube.
Mas estava ali
Sem fantasias
Em desacordo na paisagem seca
Devolvendo tinta às falsas perdas
Fazendo os olhos enxergarem
Também pele e pêlo
Outros olhos e desejo
E, possivelmente, também estava ali
Talvez fantasiada,
de outra quentura àquela paisagem
misturada
ou de um caminho que flui entre desertos (prazeres aprisionados)
Quem sabe não seria
Nossa inesperada
Autodenúncia
Vestida de encontros sem culpas
Entre pedaços
Rachados?
Sindicação