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Para a amiga Giovana Vasconcelos... desde o meio fio da esquina que nos causou alguns tropeços...

Gostaria de falar com Giovana
mas gostaria que fosse hoje, qualquer outro dia não terá o mesmo peso dessa âncora...
Outro dia talvez não terá a mim
assim,
incansável,
recorrendo àqueles mesmos lugares,
percorrendo as ruas alheias às nossas confissões
no caminho de casa...
as calçadas de nossos ex –endereços....
O meio fio da esquina que nos causou alguns tropeços
transformou parte do passado
em alguns ossos rachados
e outros rasgos sem cicatriz...

Preciso chamar Giovana
dentro desse silêncio ou aos gritos pela janela...

Porque algo diz que mais uma vez estamos distantes
mais distantes que qualquer distância habitual,
meio mortos mesmo...
E já somamos muitos ausentes nesse mundo...

ausentes entre nós,
ausentes diante de uma vontade feroz...

e até aqueles presentes somente na nossa cegueira.

Quero falar com Giovana
algo muito sério:

Quando ocupamos o espaço das distâncias com encaixes de pedras...

nossas faces também se tornam mais rígidas e estranhas
(mesmo vindas do mesmo existir)
E os intervalos de nossa história
Que só sabem vibrar...

entranham
nas frestas

sem resistir
Admin · Não há vista · 0 comentários
10 Nov 2008

Para minha amiga Iara e seu gurí.... horizontes

Ela olha...
quer ver o céu
quer ver dois horizontes brincando
saltando de pele em pele
dois horizontes sorrindo diante do quase nada
diante dos pesadelos que tremem
da escuridão
do que é frio
do que é turvo
do que não flutua nem vai ao fundo.

Mas eles também desejam ser vistos por ela...

dois residentes e outros tantos
em um único corpo
única máscara
divertindo-se com seus decotes
sua voz que contém histórias
seus suspiros indecifráveis
seus fios e sementes também por horizontes habitados.

Horizontes não encontram suas casas
nem um outro
por acaso.
Rastros e correntezas seduzem,
mas somente quem aprende a encolher a crueldade

pode ser horizontes repletos de pele.

Admin · Não há vista · 0 comentários
10 Nov 2008

Para Alcilene, a amiga dos Emails...

Mulher possuída
ou algo seu possuído...
talvez o coração,
sua voz nunca distraída...
Não importa.
Tanto faz.
O que acontece é que o mundo lá fora é menor
e sentindo as pedras, as folhas, as franjas, as trancas, o calor... na superfície,
Ela escreve um cem número de emails partidos
por sua alma
por suas águas
por seus cacos
por seu espelho
por sua pele

Mulher
-vão livre-
que recusa a inércia,
o peso do vazio.
Mosaico de palavras às vezes embaraçadas,
outras encaixadas,
todas habitadas.
Atleta fora das modalidades:
arremessadora de medos,
corredora para os abraços,
ginasta sobre sentenças,
nadadora em fuga dos tentáculos,...

Mulher possuída?
Que nada,
eco de um verso no oceano
que flutua,
vai ao fundo,
de um extremo a outro...
e resvala em pensamentos,
rasgos do tempo,

ventos,

como essa saudade
inevitável que hoje

sopra

aqui

dentro

Admin · Não há vista · 0 comentários
10 Nov 2008

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